Séc.XIX
| NEOCLÁSSICO |
| Definição Geral: |
| O neoclassicismo é um
movimento artístico que, ao renunciar às formas do
barroco, reviveu os princípios estéticos da antiguidade
clássica. Começou por volta de 1770, na França e
Inglaterra, e estendeu-se para o resto dos países
europeus, chegando ao apogeu em 1830. Entre as mudanças
filosóficas, ocorridas com o iluminismo, e as sociais,
com a revolução francesa, a arte deveria tornar-se eco
dos novos ideais da época: subjetivismo, liberalismo,
ateísmo e democracia. No entanto, eram tantas as mudanças que elas ainda não haviam sido suficientemente assimiladas pelos homens da época a ponto de gerar um novo estilo artístico que representasse esses valores. O melhor seria recorrer ao que estivesse mais à mão: a equilibrada e democrática antiguidade clássica. E foi assim que, com a ajuda da arqueologia (Pompéia tinha sido descoberta em 1748), arquitetos, pintores e escultores logo encontraram um modelo a seguir. Surgiram os primeiros edifícios em forma de templos gregos, as estátuas alegóricas e as pinturas de temas históricos. As encomendas já não vinham do clero e da nobreza, mas da alta burguesia, mecenas incondicionais da nova estética. A imagem das cidades mudou completamente. Derrubaram-se edifícios e largas avenidas foram traçadas de acordo com as formas monumentais da arquitetura renovada, ainda existente nas mais importantes capitais da Europa. |
| Pintura: |
| O tema principal da pintura
neoclássica foi a antiguidade greco-romana. As figuras
pareciam fazer parte de uma encenação teatral e eram
desenhadas numa posição fixa, como que interrompidas no
meio de uma solene representação. Na pureza das linhas
e na simplificação da composição, buscava-se uma
beleza deliberadamente estatuária. Os contornos eram
claros e bem delineados, as cores, puras e realistas, e a
iluminação, límpida. As figuras eram rígidas, sem vida, e os rostos, completamente sem expressão, simulavam máscaras das antigas tragédias gregas. As túnicas e capas caíam em dobras pesadas e angulosas, cobrindo as formas do corpo. Um enquadramento arquitetônico fechava a composição atrás e nos lados. A função narrativa era interpretada como uma gélida encenação. O fato histórico se subordinava à teatralização, à captação de um momento já morto. Pouco depois surgiria o romantismo, carregado de paixão e liberdade. Alguns artistas neoclássicos trilharam caminhos próximos à temática romântica, como Ingres, ou finalmente aderiram ao novo movimento, como fez Gericault. Em certos momentos, quando compartilham o gosto pelos temas exóticos e patrióticos, se não fosse a linha limpa de uma contra o traço carregado de tensão da outra, seria difícil estabelecer um limite claro entre os discursos das duas correntes artísticas. |
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| O rapto das Sabinas / Jacques Louis David |
| Escultura: |
| Estátuas de heróis
uniformizados, mulheres envoltas em túnicas de Afrodite,
ou crianças conversando com filósofos, foram os
protagonistas da fase inicial da escultura neoclássica.
Mais tarde, na época de Napoleão, essa disciplina
artística se restringiria às estátuas eqüestres e
bustos focalizados na pessoa do imperador. A referência
estética foi encontrada na estatuária da antiguidade
clássica, por isso as obras possuíam um naturalismo
equilibrado. Respeitavam-se movimentos e posições reais do corpo, embora a obra nunca estivesse isenta de um certo realismo psicológico, plasmado na expressão pensativa e melancólica dos rostos. A busca do equilíbrio exato entre naturalismo e beleza ideal ficava evidente nos esboços de terracota, nos quais os volumes e as variações das posições do corpo eram estudados com cuidado. O escultor neoclássico encontrou o dinamismo na sutileza dos gestos e suavidade das formas. Quanto aos materiais utilizados, os mais comuns eram o bronze, o mármore e a terracota, embora, a partir de 1800, o mármore branco, que permitia o polimento da superfície até a obtenção do brilho natural da pele, tenha adquirido preponderância sobre os demais. Entre os escultores mais importantes desse período destacam-se o italiano Antonio Canova, escultor exclusivo da família Bonaparte, e o dinamarquês Bertel Thorvaldsen, que chegou a presidir a Accademia di San Lucca, em Roma. |
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| Eros e Psique / Antônio Canova |
| ROMANTISMO |
| Definição Geral: |
| O romantismo foi um movimento
artístico ocorrido na Europa por volta de 1800, na
literatura e filosofia, para depois alcançar as artes
plásticas. Diante do racionalismo anterior à
revolução, ele propunha a elevação dos sentimentos
acima do pensamento. Curiosamente, não se pode falar de
uma estética tipicamente romântica, visto que nenhum
dos artistas se afastou completamente do academicismo,
mas sim de uma homogeneidade conceitual pela temática
das obras. A iconografia romântica caracterizou-se por sua estreita relação com a literatura e a poesia, especialmente com as lendas heróicas medievais e dramas amorosos, assim como com as histórias recolhidas em países exóticos, metaforizando temas políticos ou filosóficos da época e ressaltando o espírito nacional. Não se pode esquecer que o romantismo revalorizou os conceitos de pátria e república. Papel especial desempenharam a morte heróica na guerra e o suicídio por amor. A arquitetura e a escultura românticas se caracterizaram por sua linguagem nostálgica e pela pouca originalidade. Quando não se mesclaram estilos históricos obtendo-se obras bem mais ecléticas, reproduziram-se fielmente castelos e igrejas medievais, estilo que foi chamado de neogótico. Na escultura, imitando a linguagem pictórica, produziram-se figuras de uma dramaticidade e energia comparáveis apenas às presentes nas telas de Delacroix, embora também dentro de um forte academicismo. |
| Pintura: |
| A pintura foi a disciplina mais
representativa do romantismo. Foi ela o veículo que
consolidaria definitivamente o ideal de uma época. As
cores se libertaram e fortaleceram, dando a impressão,
às vezes, de serem mais importantes que o próprio
conteúdo da obra. A paisagem passou a desempenhar o
papel principal, não mais como cenário da composição,
mas em estreita relação com os personagens das obras e
como seu meio de expressão. É o que acontece com as tempestades de Turner, cuja força expressiva permitiu ao pintor prescindir, intencionalmente, de toda presença humana; ou das montanhas nebulosas de Friedrich, solitárias e místicas. Na França e na Espanha, o romantismo produziu uma pintura de grande força narrativa e de um ousado cromatismo, ao mesmo tempo dramático e tenebroso. É o caso dos quadros das matanças de Delacroix, ou do Colosso de Goya, que antecipou, de certa forma, a pincelada truncada do impressionismo. Paralelamente ao romantismo surgiu o realismo social. Este movimento nasceu na França, após as revoltas de 1848 e como resposta à estética novelesca e fictícia do romantismo. A vida dos trabalhadores no campo, nas minas, ou seja, das classes menos privilegiadas, foi por antonomásia o tema dessa pintura, que tinha como finalidade a conscientização da sociedade e que, logicamente, foi recusada pela alta burguesia. Seus representantes máximos foram Courbet, Daumier e Millet. Um parágrafo à parte merecem nesse período da arte os avanços nos métodos de reprodução de obras pictóricas: a litografia (melhorada) e a xilografia (novidade). Além de serem usados para reproduzir originais de Delacroix, Fuseli ou Gericault, esses métodos também se desenvolveram como disciplinas artísticas. As mais de 4 000 litografias de Daumier fizeram uma caricatura e documentaram a vida social da França, da mesma forma que as refinadas gravuras de Doré ou os personagens de Grandville. |
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| Dois Homens contemplando a lua / Caspar David Friedrich |
| Escultura: |
| A escultura romântica não
brilhou exatamente pela sua originalidade, nem tampouco
pela maestria de seus artistas. Talvez se possa pensar
nesse período como um momento de calma necessário antes
da batalha que depois viriam a travar o impressionismo e
as vanguardas modernas. Do ponto de vista funcional, a
escultura romântica não se afastou dos monumentos
funerários, da estátua eqüestre e da decoração
arquitetônica, num estilo indefinido a meio caminho
entre o classicismo e o barroco. A grande novidade temática da escultura romântica foi a representação de animais de terras exóticas em cenas de caça ou de luta encarniçada, no melhor estilo das exuberantes cenas de Rubens. Não se abandonaram os motivos heróicos e as homenagens solenes na forma de estátuas superdimensionadas de reis e militares. Em compensação, tornou-se mais rara a temática religiosa. Os mais destacados escultores desse período foram Rude e Barye, na França, Bartolini, na Itália, e Kiss, na Alemanha. |
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| "O Descarregador" / Constantin Meunier |
| REALISMO |
| Definição Geral: |
| Em meados do século XIX, as
pinturas neoclássicas e românticas tornaram-se, em
larga medida, artificiais. As obras de Thomas Couture, um seguidor de Ingres, ilustram esse declínio. Em " Romanos em decâdencia ", Couture procurou mostrar como os romanos perderam sua grandeza devido a uma vida desregrada. Apesar do tema, a pintura parece sem animação. É um exemplo da maneira como muitos artistas talentosos tinham chegado a uma situação sem saída, por continuarem a seguir tradições esgotadas. À medida que declinava o neoclássicismo e o romantismo, um novo movimento, o realismo, surgia na arte francesa. Os primeiros sinais de tendência para o realismo apareceram em pinturas francesas que mostravam a delicadeza da natureza. Em meados do século XIX, Gustave Coubert tornou-se o primeiro grande mestre da pintura realista. Coubert pintava paisagens, mas sua visão não era tão idelizada quanto a dos pintores de Barbizan. Coubert registrava ao seu redor com precisão que muitos de seus trabalhos foram considera-dos como obras de protesto social. Em um de seus quadros, por exemplo, ele retratou um velho e um rapaz na tarefa extenuante de quebrar pedras com marretas. O artista insinuava que havia algo errado em uma sociedade que permitia que as pessoas passasem a vida fazendo esse tipo de trabalho. Os neoclássicos chamavam as pinturas de Coubert de banais e vulgares. Mas as obras de Coubert ajudaram a mudar o curso da arte. As pinturas baseavam-se nas observações honestas e sem sentimentalismo da vida ao seu redor. Desde seu tempo até nossos dias atuais, muitos pintores do mundo têm adotado a posição de Coubert. |
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| Os Cortadores de Pedra / Courbet |
| PRÉ-RAFAELISMO |
| Definição Geral: |
| Constituiram em 1848 um
movimento artistíco e literário. Os principais pintores
do movimento foram William Hunt, sir John Everett
Millais, e Dante Gabriel Rossetti. Os pré-rafaelitas
distinguiram-se da maioria dos movimentos de arte de seu
século. Desejavam voltar ao que lhes parecia ser pureza e a inocência da pintura anterior a Rafael. A arte pré-rafaelita em geral possuía um forte conteúdo moral. Os artistas muitas vezes expressavam suas mensagens através de pinturas religiosas. |
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| "Itália e Alemanha" / Johann Friedrich Overbeck |